terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Estufa, quando bebê

Um circo. Um teatro de sonhos. Azul escuro. Absurdo. Os corpos são máquinas que se movimentam pela falta. Necessidades forjadas, corpos mutilados, sempre um hiato. Uma moça mija enquanto tenta exibir sua beleza. Sexo no plástico bolha. Volúpia do consumo. Atração e repulsão. Figuras artificiais. Sempre a falta, sempre o hiato. Virtualidade. Não se olham entre si. Olham a realidade forjada, as imagens. Tudo grita a mentira. E reproduzem, mantém a partitura. Está aí o sistema. Coisas se mexendo num teatro absurdo.
Mas sobre, sob, ao redor e dentro deles está o outro corpo. Laranja. Como um polvo imensurável, ele está à espera. E de repente, a cabra desesperada tenta tocar o que lhe cerca, tenta entender as dimensões, tenta medir, tenta o contato. Ela precisa se apropriar, ela precisa ser o polvo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário