domingo, 29 de janeiro de 2012

As implicações de Estufa





Estufa tem o objetivo de circular na cidade do Rio de Janeiro nos meios mais plurais possíveis. Como pesquisa de linguagem, a importância de circular em diferentes públicos e diferentes situações de apresentação é muito importante.  Tira-se a ideia de publico e lida-se com a realidade de publico, com a concretude de analisar a analise, e por isso essa ação é libertadora para nós, operadores da obra, que deixamos de legitimar ideias pré concebidas sobre a capacidade comunicativa da obra em tais ou tais meios, sobre o que é hermético ou não e sobre a liberdade da obra de arte.  
Os significantes da peça operam numa área cinza, sem chegar à significados fechados (de uma forma geral). Isso retorna ao publico um alto grau de autonomia, lugar onde pode-se dizer o que e como aquele que vê a ação e a compreende. Assim, a interpretação é livre e diz muito daquele que a elabora. Está em pauta aqui tanto a qualidade comunicativa da obra quanto a qualidade critica e participativa do observador. Não sei, na realidade, a diferença entre esses dois fatores, posto que o fenômeno de analise se dá no encontro entre essas duas existências.  O ponto é a potencia da geração de debate, e isso passa pela comunicação total: sensível , racional e simbólica.
No confronto da obra com esse publico diversificado, e por analise de debates e discursos que venham desse confronto, nós poderemos fazer escolhas de linguagem de forma mais precisa e ativa. Isso é – o quê, nesta forma de discursar, deixa claro ou oculto tão significação. É mais potente para a criação do debate e para a afetação que tais elementos fiquem ocultos ou claros?  É mais interessante que se entre aqui com uma imagem direta sobre o assunto, que uma imagem acesse diretamente uma ideia, ou que ao contrario, que o significante quebre ainda mais com seu significado para que a ação ganhe maior extensão no campo simbólico do observador?
Isso é, basicamente, um estudo de linguagem , visando a construção de uma linguagem com maior potencia comunicativa e maior alcance comunicativo (redescobrir “arquétipos”).
Esse é um trabalho de equipe, conjunta e individualmente. Cada qual pensando na sua linguagem expressiva em confronto com todos os campos simbólicos plurais com os quais propomos dialogar.
Isso é, saber para onde se quer que vá o tiro, atirar, e analisar a trajetória da bala. Em meios de densidade diferentes. O resultado é elaboração sobre a mecânica do projétil, do meio que o propaga, e a relevância do alvo (que sempre pode mudar de lugar).
A partir dessa elaboração da pergunta, podemos experimentar outras linguagens, trazer elas para o núcleo da criação teatral, como a performance, as artes gráficas (vídeo, imagem) e a música.
Portanto precisamos pensar numa circulação para Estufa; uma circulação em favor dessas questões acima levantadas.
Minha proposta é  pensarmos nesse mapa de circulação e ver quantas apresentações queremos fazer no período de março à junho. 
Como entendem isso?

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