quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

5

A cadeira é um banco de praça donde observo os passantes, é todo o tempo da inércia. É meu lugar de descanso. É onde espero para ser atendido no banco, tendo uma senha em minhas mãos com um número nela. Onde espero o ônibus, o trem, o metrô. É onde viajo e espero chegar e observo a paisagem como num cinema. É de onde assisto o filme. É onde espero na sala de espera, para saber minha doença ou ver alguém doente. É de onde atendo o paciente e digo como ele vai se curar, ou dou a sentença de mortes. É onde aprendo. É onde espero dar meio-dia para não ter que aprender mais. É minha poltrona, onde tenho o poder atrás da mesa e do outro lado não há cadeiras. É de onde decido. É o trono de Deus, onipotente, onisciente e onipresente, tendo à direita seu filho, o salvador. A cadeira é onde espero, onde tenho poder, onde posso esperar, tenho o poder de esperar. É onde nada faço, apenas espero, ansioso, com medo, confortavelmente sem conforto. Esperar minha próxima jogada, eu, número 5, o número mais alto, o último da fila.

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