domingo, 4 de novembro de 2012

Workshop Memória e Experiência Urbana





Durante a curta temporada da peça Estufa no espaço Rampa-Lugar de criação, o Coletivo Kerencaferem ministra o workshop Memória e Experiência Urbana: compartilhamento e composição- , um compilado de proposições que constituem o método de criação do espetáculo.

O workshop visa compartilhar o esboço metodológico construído pelo coletivo com os interessados em ferramentas de composição da cena, no desenvolvimento de técnicas pessoais de atuação e inventividade, na criação de fisicalidade e estado cênico e na construção de um discurso criativo crítico e sensível.

A partir dos principais eixos temáticos de Estufa - as dinâmicas do espaço urbano, as relações afetivas do cotidiano e o confronto entre identidade individual e identidade coletiva-, o objetivo é investigar possibilidades práticas de composição da cena através do compartilhamento e ressignificação coletiva de materiais autorais individuais. O trabalho com estes materiais tem como princípio o resgate da memória física do espaço privado e a coleta de materiais observados  e vivenciados no espaço público. No cruzamento entre estes dois campos, pretende-se iluminar as sensibilidades que gerimos em nosso dia-a-dia e pesquisar de que modo elas podem se tornar elemento detentor de sentido na construção de uma cena.

Palavras chave: memória física, , criação do discurso cênico, composição da cena, dramaturgia cênica, observação, vivência e recolhimento do espaço urbano para a sala de ensaio.

As inscrições já estão abertas pelo e-mail: kerencaferem@gmail.com !
Esperamos todos lá!


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Estufa no Teatro Matienzo e mais...


Como muitos devem saber, nossa campanha no Catarse foi um sucesso, graças aos nossos 81 apoiadores! 



Gostaríamos de agradecer o apoio de cada um de vocês ao Projeto Intercâmbio Estufa. Ele significou mais do que a possibilidade de realizarmos o intercambio. Significou também o reconhecimento do nosso trabalho e a certeza de que não estamos sozinhos nessa.
Estamos imensamente gratos!

Na Argentina

Realizamos 4 apresentações do espetáculo no  Club Cultural Matienzo com a casa cheia!  Fomos muito bem recebidos pelos hermanos argentinos e mais de 200 espectadores estiveram presentes.

O clube onde fomos acolhidos, gerido por jovens, é uma casinha de três andares onde 70 artistas e outros profissionais, de diversas áreas, desenvolvem suas pesquisas e as expõe. 

Todos os dias o espaço mobiliza muitas pessoas. Os andares e salas são tomados de atividades, quase simultâneas. E assim o espaço e seus gestores se sustentam, artística e financeiramente. 

Além disso, fomos convidados a publicar o texto de Estufa em uma revista de dramaturgia contemporânea portenha!

O Keren agradece a todos por essa oportunidade riquíssima e trabalha para que essa experiência reverbere positivamente para além de nós.

Mandamos e-mails para quem colaborou com o nosso projeto. Se você contribuiu e não recebeu o e-mail, deixe um comentário aqui ou no facebook de Estufa que entraremos em contato.

E agora?

Voltamos da Argentina cheios de ideias e energia e já começamos o trabalho!

- Workshop "Memória e Experiência Urbana: Compartilhamento e Composição", 
que acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de Novembro, quarta e quinta das 10:30 às 13:30 e sexta das 10:30 às 15:00 h. 
Público alvo: qualquer pessoa interessada em descobrir e desenvolver expressividade por meio da presença cênica.
Investimento: R$ 120,00.

- Curta temporada do espetáculo "Estufa",
dias 23, 24, 30 de Novembro e 1 de Dezembro (sextas e sábados).
às 21 h.
R$ 20,00 (meia R$ 10)

O workshop e a peça serão realizados na Rampa - lugar de Criação!
Endereço: Rua Sá Ferreira, 202 - Copacabana - Ipanema.

- Em breve, mais uma edição da festa Pantera! .... 

Esperamos todos lá!
Mais informações em breve!


sexta-feira, 27 de julho de 2012

mostra-hífen de pesquisa-cena

É com muito orgulho que confirmamos nossa participação na primeira edição da mostra-hífen de pesquisa-cena, que acontecerá no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, entre os proximos 3 de agosto e 26 de setembro.
ESTUFA integrará a Mostra pesquisa-cena, que conta com mais quatro espetáculos, todos eles recentes produções de jovens artistas cariocas. 
Para ficar a par da programação completa da mostra, clique aqui.
Semana que vem começamos nossa batelada de ensaios.

Estão todos convidadíssimos!
Abaixo, as datas das apresentações:


FITUB


ESTUFA participa da Mostra Universitária Nacional do 25º Fitub.



Estamos de volta ao Rio de Janeiro após uma semana no sul do país, onde participamos da Mostra Universitária do Festival Universitário de Blumenau. Foram duas sessões seguidas de ESTUFA, um debate sobre a peça com Roberto Mallet e Delson Antunes, além do contato com produções de outras universidades brasileiras (Brasília, Maringá, Uberlândia, João Pessoa, São Paulo e Florianópolis) e latino-americanas.

ESTUFA foi indicado a categoria melhor conjunto de elenco, melhor ator - João Pedro Orban, e ganhou o prêmio destaque de melhor cenografia, de Eloy Machado. Obrigado a todos que de alguma forma contribuem para que nosso espetáculo se mantenha mais vivo a cada dia.

Clique aqui para ler a crítica de Viegas Fernandes da Costa sobre nosso trabalho.
Clique aqui para conferir fotos das apresentações em Blumenau.

Que venham outros festivais!


Ocupação CÂMBIO - Espaço Reserva

ESTUFA ocupa espaço Reserva por dois dias, integrando a ocupação Câmbio.


ESTUFA continua se atualizando em sala de ensaio e, aproveitando o momento atual de revisão dramaturgica, resolvemos apresentá-la em outro formato. Foram dois dias de ensaio aberto no Espaço Reserva, onde o publico entrou em contato  com os materias e jogos que compõe os dois primeiros atos do espetáculo, interferindo na ordem em que eles se apresentavam. 
As apresentações deram a oportunidade de compartilhar com o espectador o estudo atual de ESTUFA: entendimento da especificidade de cada material cênico e o lugar de cada um deles dentro da costura dramaturgica geral.
Obrigado a todos os presentes!

domingo, 6 de maio de 2012

Festival do Rio

Estufa na Mostra Competitiva do Festival da Cidade do Rio de Janeiro
DIA 17 de Maio
                                                    Ocupando o espaço e o tempo!

Próximas apresentações, dias 12 e 13 de Maio


Territórios Sensíveis é um evento de integração de artes, que une diferentes linguagens e um só espaço. Destina-se à difusão do trabalho de artistas independentes em espaço alternativo às galerias e teatros, formando também diferentes públicos, ressonâncias e relações com as obras.
Para o proponente, o Coletivo Kerencaferem – formado por artistas ligados às artes cênicas – a ideia veio de uma possível aliança com o Espaço Cultural Laurinda Santos Lobo, onde seria apresentada a peça Estufa como contrapartida ao espaço por ter abrigado o espetáculo em seu período de construção.  A amplitude e riqueza estética do espaço, no entanto, apontou a necessidade de sua ocupação total e plural.
Nasce então a proposta de uma ocupação sensível do território, visando misturar as ecologias da natureza, da edificação e das sensibilidades dos artistas. O objetivo é ocupar o espaço numa relação criativa com ele, partindo do que já oferece e aplicando-lhe outras camadas.
As instalações – de Lucas Sargentelli e Gustavo Torres – e as ilustrações e luminárias de leds instaladas nas árvores do espaço - de Rafael Balbi -  são permanentes durante os dois dias do evento.
A peça Estufa – criação do coletivo Kerencaferem – se apresenta às 18:30 nos dois dias do evento. O cenário-instalação de Eloy Machado ocupa o teatro antes e após as apresentações.
No sábado, dia 12, show de estreia da banda DiscórdiAcústica abre a casa às 16:oo horas. Dá segmento à programação a banda Corisco, e às 20:oo a apresentação do CANCIONEIRO GENÉRICO DO FIM DOS TEMPOS, um projeto de voz e violão de Ian Dolabella.
No domingo, dia 13, a casa abre com o show da banda Biltre, seguida da banda eletro-acústica Gorilla Brutality e show de pirofagia de ESTEVÃO.
Em ambos os dias, a programação se encerra com uma dinâmica de debate entre os artistas e o publico sobre o material exposto no evento – um espaço de fala e troca sobre as sensibilidades promovidas durante o dia.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


SOBRE O IDEOGRAMA DA FELICIDADE,
SOBRE O DIZ O TELEFONE
SOBRE PORQUÊ CHEGAM À ESTUFA
SOBRE A VITRINE

Voltou-me a Idea de IDEOGRAMA. Um símbolo que representa algo que escapa ao regime das palavras, de unidades significantes e de adjetivos. O ideograma é um símbolo gráfico que encerra em si uma realidade.
Bem, é por ele que buscamos. Por sua totalidade. O ideograma de FELECIDADE. Dentro da estufa, o ideograma de felicidade é o PICNIC. Não qualquer PICNIC, mas aquele PICNIC, o que o telefone disse.
Algo que não pode ser descrito em palavras, que se assemelha mais à uma musica ou à uma imagem, uma atmosfera, um sonho.
O resto é decorrência dessa imagem, que recebem ao telefone, e vocês foram ali para recebê-la. O campo  já esta armado antes de receberem o ideograma. Esta armado a lacuna em vocês para recebê-lo, um espaço em branco, que pede que o desejo tenha uma forma.  Eles de perguntam qual a forma desse desejo que tem. Um desejo que os faz andar, até a Estufa, que os faz estarem famintos, esperançados, angustiados, que os fez andar por dias, meses ou anos, até encontrarem um telefone que diga a forma. A FORMA do desejo vem do externo, o desejo é interno, e o desejo interno busca a forma externa (ele acredita na forma, ele acredita que há uma forma que o sacie, ele acredita que em algum lugar, algum objeto tem sua forma)  e ele suplica pelo telefone, ele suplica que haja algo que o diga: você é assim, você tem essa forma, e essa forma é assim. = ao picnic, a Ideia Picnic. Que é mais ou menos assim:
Olivia é a figura central. O Tomás é seu marido. Estão todos felizes. Têm uma mesa linda. Ali tem um penhasco. O mar branco e os navios de carga. Ela tem um amontoado de cactos, e ali a maquininha de produzir tortas.  olivia é uma mulher que quer mais vinho, que tem alguém por perto que deveria ter percebido isso antes que ela tivesse que fazer o esforço de dizer. Temo céu se estendendo ao infinito, que os dá a sensação de paz, e talvez chova. E tem um passarinho, para o Tomás.

O que mais?
Como é esse ideograma para o Ticiano, para o João, para o Julio?
A virada é entendermos que o ideograma é bem de todos. Que todos lutam por ele, e todos trabalham por ele, e que ele, enquanto ilusão, é social, é de todos, pois todos podem imaginar igualmente, e quanto mais imaginam, mais escravos são dele, e não há nada que faça um ser mais escravo que o outro. O rico e pobre, os que detém os meios produtivos para  a Vitrine e os que trabalham braçalmente e ininterruptamente para a vitrine, eles se diferenciam apenas por sua localização no sistema produtivo, se diferencia pela quantidade de suor que deixam rolar pela testa enquanto trabalham, mas no intimo são todos iguais, são todos irmãos em crença e obstinação.
  Essa é a formação do nosso exercito, desse regime comum que é o capitalismo, onde todas as pessoas do mundo, independente de raça, regenro, religião ou localização, são livres e iguais para sonhar com a vitrine e trabalhar para ela.
Então sabemos que compartilhamos algo. Um saber oculto sobre nossos objetivos, sob o qual somos iguais, sob os qual entendemos qual a força magnética que nos mantém na Estufa, o que a Nina chamou de MISTÉRIO DA ESTÉTICA, de FELICIDADE PLASTICA. Como se entendêssemos a Estufa como uma tela em branco e tivessem a imagem do quadro acabado na cabeça.
É sobre buscas o Ideograma do PICNIC que a peça gira. São resquícios dessa imagem que voltam, resquícios da esperança da imagem, e a consciência cada vez mais forte de que estão no campo desprovido da magia do ideograma. 

CHEGADA
TELEFONE
ORGANIZAÇÃO PARA O TRABALHO
MONTAGEM
CATALOGAÇÃO PARA VITRINE
VITRINE
COMER
ESTAFA
RECLAMAÇÃO DA OLIVIA AO JULIO, SOBRE O TRABALHO QUE FEZ E A RECOMPENSA QUE NÃO TEVE
NOVA TENTATIVA, JOAO FAZ MODIFICAÇÕES NO ESPAÇO SOB O OLHAR DE TODOS(PODE-SE MUDAR O JULIO DE LUGAR OU TENTAR, PODE-SE RETIRAR AS FOLHAS, PODE-SE MUDAR A PLANTA DE LUGAR..)
JOAO SE DEITA, REMONTAGEM DA MESA SOBRE JOAO, COM RESQUICIOS DA PRIMEIRA MONTAGEM
MESA POSTA, TOMAS TICIANO E OLIVIA AO REDOR DA MESA, E CONSTATAM O VAZIO
SILENCIO DA CONSTATAÇÃO
PASSARINHO DO TOMÁS, PARA AJUDAR NA TENTATIVA. O PASSARINHO ACABA EM MORTE, PELO RANCOR NÃO CONTIDO
COMOÇÃO PELO PASSARINHO, TOMÁS CASTIGA-SE NA FRENTE DE JULIO. (OLIVIA O PUNE COM A PALMATORIA? JOAO LEVANTA-SE PARA ENTERRAR O PASSARINHO?)
 TOMAS SAI DO CASTIGO E VAI PARA A PROSTITUIÇÃO (MAIS PESSOAS PARTICIPAM DA PROSTITUIÇÃO?)
OLIVIA DIZ COMO AS COISAS DEVERIAM SER, DESACREDITA TOTALMENTE DA ORGANIZAÇÃO DO JULIO.
CORO DA CIDADE (É SÓ O QUE SABEM FAZER. REIVA DO JULIO)
OLIVIA OBSERVA EM DESESPERO E RECORRE AO TELEFONE, QUE DIZ SEMPRE  O MESMO
ENTRAM TODOS NO JOGO DA IDENTIDADE (podemos voltar com resquícios da vitrine para esse jogo também, como estratificações que ficaram misturados aos anônimos reais de todos os dias. ) EMERÇÃO PARA A REALIDADE DA ESTUFA DESTRUÍDA.
UM SAI. UMA LUZ APAGA. TODOS PERCEBEM. A SANFONA NO CHÃO FAZ O SOM DO MAR. OUTRA LUZ APAGA. TODOS PERCEBEM. NINGUÉM CRÊ MAIS. SAÍDAS.



A Concepção idealista do desejo como Falta





De certo modo, a lógica do desejo engana-se no seu objecto logo no seu
primeiro passo: o primeiro passo da divisão platónica que nos faz escolher entre
produção e aquisição. Se pusermos o desejo do lado da aquisição, teremos uma
concepção idealista do desejo (dialéctica, niilista) que o detetmina ptimeiro como
falta (manque), falta de objecto, falta do objecto teal. É vetdade que o outro lado,
o lado (produção», não é ignorado. Deve-se a Kant uma revolução crítica na
teoria do desejo ao defini-lo como «a faculdade de set pelas suas representações
causa da realidade dos objectos destas representações». E não é por acaso que
Kant, para ilustrar esta definição, recorre às crenças supersticiosas, a alucinações e
fantasmas: sabemos bem que o objecto real só pode set produzido por uma causalidade
e mecanismos externos; mas este saber não rios impede de acreditar no
poder interior que o desejo tem de engendrar o seu objecto, ainda que sob uma
forma irreal, alucinatória ou fantasmática, e de representar esta causalidade no
próprio desejo". A realidade do objecto enquanto produzido pelo desejo é, pois, a realidade psíquica. Logo, podemos dizer que a revolução crítica não altera nada
de essencial: este modo de conceber a produtividade não põe em questão a concepção
clássica do desejo como falta. mas apoia-se, baseia-se nela, e limita-se a
aprofundá-la_ Com efeito, se o desejo é a falta do objecto real, a sua própria
realidade está numa «essência da falta» que produz o objecto fantasmático. O
desejo concebido como produção, mas produção de fantasmas, foi perfeitamente
exposto pela psicanálise. Ao mais baixo nível de interpretaçâo isto significa que o
objecto real que falta ao desejo remete para uma produção natural ou social
extrínseca, enquanto que o desejo produz intrinsecamente um imaginário que
duplica a realidade como se houvesse um «objeto sonhado por detrás de cada
objecto real» ou uma produção mental por detrás das produções reais. E é evidente
que ninguém pretende que a psicanálise se dedique ao estudo dos «gadgets» e
dos mercados, na sua forma mais miserável, a de uma psicanálise do objecto (psicanálise
do pacote de massa, do automóvel, ou do «fulano»). Mas mesmo quando
o fantasma é interpretado em toda a sua extensão, já não como um objecto, mas
como uma máquina específica que faz intervir o desejo, essa máquina é apenas
teatral, e deixa subsistir a complementaridade do que ela própria separa: é então a
necessidade que é definida pela falta relativa e determinada do seu próprio objecto,
enquanto que o desejo aparece como aquilo que produz o fantasma e se produz
a si mesmo separando-se do objecto, mas também redobrando a falta, levando-
a ao absoluto, transformando-a numa «incurável insuficiência de ser», «uma
falta-de-ser que é a vida». Por isso se apresenta o desejo apoiado nas necessidades,
continuando a produtividade do desejo a fazer-se a partir das necessidades e da
sua relação de falta com o objecto (teoria do apoio_ Em suma, quando se reduz a
produção desejante a uma produção de fantasmas, temos que nos limitar a tirar
todas as consequências do princípio idealista que define o desejo como uma falta,
e não como produção, produção «industrial, Clément Rosset diz e muito bem:
sempre que se insiste numa falta que faltaria ao desejo para definir o seu objeto,
«o mundo vê-se dobrado noutro mundo qualquer, segundo este itinerário: o objecto
falta ao desejo; logo, o mundo não contém todos os objectos, falta-lhe pelo
menos um, o do desejo; logo, existe um algures que contém a chave do desejo
(que falta ao mundo)".
22 Clemem Rosset, Logique du pire, PU.F., 1970, p. 37.

domingo, 29 de janeiro de 2012

As implicações de Estufa





Estufa tem o objetivo de circular na cidade do Rio de Janeiro nos meios mais plurais possíveis. Como pesquisa de linguagem, a importância de circular em diferentes públicos e diferentes situações de apresentação é muito importante.  Tira-se a ideia de publico e lida-se com a realidade de publico, com a concretude de analisar a analise, e por isso essa ação é libertadora para nós, operadores da obra, que deixamos de legitimar ideias pré concebidas sobre a capacidade comunicativa da obra em tais ou tais meios, sobre o que é hermético ou não e sobre a liberdade da obra de arte.  
Os significantes da peça operam numa área cinza, sem chegar à significados fechados (de uma forma geral). Isso retorna ao publico um alto grau de autonomia, lugar onde pode-se dizer o que e como aquele que vê a ação e a compreende. Assim, a interpretação é livre e diz muito daquele que a elabora. Está em pauta aqui tanto a qualidade comunicativa da obra quanto a qualidade critica e participativa do observador. Não sei, na realidade, a diferença entre esses dois fatores, posto que o fenômeno de analise se dá no encontro entre essas duas existências.  O ponto é a potencia da geração de debate, e isso passa pela comunicação total: sensível , racional e simbólica.
No confronto da obra com esse publico diversificado, e por analise de debates e discursos que venham desse confronto, nós poderemos fazer escolhas de linguagem de forma mais precisa e ativa. Isso é – o quê, nesta forma de discursar, deixa claro ou oculto tão significação. É mais potente para a criação do debate e para a afetação que tais elementos fiquem ocultos ou claros?  É mais interessante que se entre aqui com uma imagem direta sobre o assunto, que uma imagem acesse diretamente uma ideia, ou que ao contrario, que o significante quebre ainda mais com seu significado para que a ação ganhe maior extensão no campo simbólico do observador?
Isso é, basicamente, um estudo de linguagem , visando a construção de uma linguagem com maior potencia comunicativa e maior alcance comunicativo (redescobrir “arquétipos”).
Esse é um trabalho de equipe, conjunta e individualmente. Cada qual pensando na sua linguagem expressiva em confronto com todos os campos simbólicos plurais com os quais propomos dialogar.
Isso é, saber para onde se quer que vá o tiro, atirar, e analisar a trajetória da bala. Em meios de densidade diferentes. O resultado é elaboração sobre a mecânica do projétil, do meio que o propaga, e a relevância do alvo (que sempre pode mudar de lugar).
A partir dessa elaboração da pergunta, podemos experimentar outras linguagens, trazer elas para o núcleo da criação teatral, como a performance, as artes gráficas (vídeo, imagem) e a música.
Portanto precisamos pensar numa circulação para Estufa; uma circulação em favor dessas questões acima levantadas.
Minha proposta é  pensarmos nesse mapa de circulação e ver quantas apresentações queremos fazer no período de março à junho. 
Como entendem isso?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

5

A cadeira é um banco de praça donde observo os passantes, é todo o tempo da inércia. É meu lugar de descanso. É onde espero para ser atendido no banco, tendo uma senha em minhas mãos com um número nela. Onde espero o ônibus, o trem, o metrô. É onde viajo e espero chegar e observo a paisagem como num cinema. É de onde assisto o filme. É onde espero na sala de espera, para saber minha doença ou ver alguém doente. É de onde atendo o paciente e digo como ele vai se curar, ou dou a sentença de mortes. É onde aprendo. É onde espero dar meio-dia para não ter que aprender mais. É minha poltrona, onde tenho o poder atrás da mesa e do outro lado não há cadeiras. É de onde decido. É o trono de Deus, onipotente, onisciente e onipresente, tendo à direita seu filho, o salvador. A cadeira é onde espero, onde tenho poder, onde posso esperar, tenho o poder de esperar. É onde nada faço, apenas espero, ansioso, com medo, confortavelmente sem conforto. Esperar minha próxima jogada, eu, número 5, o número mais alto, o último da fila.