Estufa tem o objetivo de circular na cidade do Rio de
Janeiro nos meios mais plurais possíveis. Como pesquisa de linguagem, a importância
de circular em diferentes públicos e diferentes situações de apresentação é
muito importante. Tira-se a ideia de
publico e lida-se com a realidade de publico, com a concretude de analisar a
analise, e por isso essa ação é libertadora para nós, operadores da obra, que deixamos de legitimar ideias pré concebidas sobre a capacidade comunicativa da obra em tais ou tais meios, sobre o que é hermético ou não e sobre a liberdade da obra de arte.
Os significantes da peça operam numa área cinza, sem chegar
à significados fechados (de uma forma geral). Isso retorna ao publico um alto grau de autonomia,
lugar onde pode-se dizer o que e como aquele que vê a ação e a compreende. Assim,
a interpretação é livre e diz muito daquele que a elabora. Está em pauta aqui
tanto a qualidade comunicativa da obra quanto a qualidade critica e
participativa do observador. Não sei, na realidade, a diferença entre esses
dois fatores, posto que o fenômeno de analise se dá no encontro entre essas
duas existências. O ponto é a potencia
da geração de debate, e isso passa pela comunicação total: sensível , racional
e simbólica.
No confronto da obra com esse publico diversificado, e por
analise de debates e discursos que venham desse confronto, nós poderemos fazer
escolhas de linguagem de forma mais precisa e ativa. Isso é – o quê, nesta
forma de discursar, deixa claro ou oculto tão significação. É mais potente para
a criação do debate e para a afetação que tais elementos fiquem ocultos ou
claros? É mais interessante que se entre
aqui com uma imagem direta sobre o assunto, que uma imagem acesse diretamente
uma ideia, ou que ao contrario, que o significante quebre ainda mais com seu
significado para que a ação ganhe maior extensão no campo simbólico do
observador?
Isso é, basicamente, um estudo de linguagem , visando a
construção de uma linguagem com maior potencia comunicativa e maior alcance
comunicativo (redescobrir “arquétipos”).
Esse é um trabalho de equipe, conjunta e individualmente. Cada
qual pensando na sua linguagem expressiva em confronto com todos os campos simbólicos
plurais com os quais propomos dialogar.
Isso é, saber para onde se quer que vá o tiro, atirar, e
analisar a trajetória da bala. Em meios de densidade diferentes. O resultado é
elaboração sobre a mecânica do projétil, do meio que o propaga, e a relevância do
alvo (que sempre pode mudar de lugar).
A partir dessa elaboração da pergunta, podemos experimentar
outras linguagens, trazer elas para o núcleo da criação teatral, como a
performance, as artes gráficas (vídeo, imagem) e a música.
Portanto precisamos pensar numa circulação para Estufa; uma
circulação em favor dessas questões acima levantadas.
Minha proposta é
pensarmos nesse mapa de circulação e ver quantas apresentações queremos
fazer no período de março à junho.
Como entendem isso?