terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


SOBRE O IDEOGRAMA DA FELICIDADE,
SOBRE O DIZ O TELEFONE
SOBRE PORQUÊ CHEGAM À ESTUFA
SOBRE A VITRINE

Voltou-me a Idea de IDEOGRAMA. Um símbolo que representa algo que escapa ao regime das palavras, de unidades significantes e de adjetivos. O ideograma é um símbolo gráfico que encerra em si uma realidade.
Bem, é por ele que buscamos. Por sua totalidade. O ideograma de FELECIDADE. Dentro da estufa, o ideograma de felicidade é o PICNIC. Não qualquer PICNIC, mas aquele PICNIC, o que o telefone disse.
Algo que não pode ser descrito em palavras, que se assemelha mais à uma musica ou à uma imagem, uma atmosfera, um sonho.
O resto é decorrência dessa imagem, que recebem ao telefone, e vocês foram ali para recebê-la. O campo  já esta armado antes de receberem o ideograma. Esta armado a lacuna em vocês para recebê-lo, um espaço em branco, que pede que o desejo tenha uma forma.  Eles de perguntam qual a forma desse desejo que tem. Um desejo que os faz andar, até a Estufa, que os faz estarem famintos, esperançados, angustiados, que os fez andar por dias, meses ou anos, até encontrarem um telefone que diga a forma. A FORMA do desejo vem do externo, o desejo é interno, e o desejo interno busca a forma externa (ele acredita na forma, ele acredita que há uma forma que o sacie, ele acredita que em algum lugar, algum objeto tem sua forma)  e ele suplica pelo telefone, ele suplica que haja algo que o diga: você é assim, você tem essa forma, e essa forma é assim. = ao picnic, a Ideia Picnic. Que é mais ou menos assim:
Olivia é a figura central. O Tomás é seu marido. Estão todos felizes. Têm uma mesa linda. Ali tem um penhasco. O mar branco e os navios de carga. Ela tem um amontoado de cactos, e ali a maquininha de produzir tortas.  olivia é uma mulher que quer mais vinho, que tem alguém por perto que deveria ter percebido isso antes que ela tivesse que fazer o esforço de dizer. Temo céu se estendendo ao infinito, que os dá a sensação de paz, e talvez chova. E tem um passarinho, para o Tomás.

O que mais?
Como é esse ideograma para o Ticiano, para o João, para o Julio?
A virada é entendermos que o ideograma é bem de todos. Que todos lutam por ele, e todos trabalham por ele, e que ele, enquanto ilusão, é social, é de todos, pois todos podem imaginar igualmente, e quanto mais imaginam, mais escravos são dele, e não há nada que faça um ser mais escravo que o outro. O rico e pobre, os que detém os meios produtivos para  a Vitrine e os que trabalham braçalmente e ininterruptamente para a vitrine, eles se diferenciam apenas por sua localização no sistema produtivo, se diferencia pela quantidade de suor que deixam rolar pela testa enquanto trabalham, mas no intimo são todos iguais, são todos irmãos em crença e obstinação.
  Essa é a formação do nosso exercito, desse regime comum que é o capitalismo, onde todas as pessoas do mundo, independente de raça, regenro, religião ou localização, são livres e iguais para sonhar com a vitrine e trabalhar para ela.
Então sabemos que compartilhamos algo. Um saber oculto sobre nossos objetivos, sob o qual somos iguais, sob os qual entendemos qual a força magnética que nos mantém na Estufa, o que a Nina chamou de MISTÉRIO DA ESTÉTICA, de FELICIDADE PLASTICA. Como se entendêssemos a Estufa como uma tela em branco e tivessem a imagem do quadro acabado na cabeça.
É sobre buscas o Ideograma do PICNIC que a peça gira. São resquícios dessa imagem que voltam, resquícios da esperança da imagem, e a consciência cada vez mais forte de que estão no campo desprovido da magia do ideograma. 

CHEGADA
TELEFONE
ORGANIZAÇÃO PARA O TRABALHO
MONTAGEM
CATALOGAÇÃO PARA VITRINE
VITRINE
COMER
ESTAFA
RECLAMAÇÃO DA OLIVIA AO JULIO, SOBRE O TRABALHO QUE FEZ E A RECOMPENSA QUE NÃO TEVE
NOVA TENTATIVA, JOAO FAZ MODIFICAÇÕES NO ESPAÇO SOB O OLHAR DE TODOS(PODE-SE MUDAR O JULIO DE LUGAR OU TENTAR, PODE-SE RETIRAR AS FOLHAS, PODE-SE MUDAR A PLANTA DE LUGAR..)
JOAO SE DEITA, REMONTAGEM DA MESA SOBRE JOAO, COM RESQUICIOS DA PRIMEIRA MONTAGEM
MESA POSTA, TOMAS TICIANO E OLIVIA AO REDOR DA MESA, E CONSTATAM O VAZIO
SILENCIO DA CONSTATAÇÃO
PASSARINHO DO TOMÁS, PARA AJUDAR NA TENTATIVA. O PASSARINHO ACABA EM MORTE, PELO RANCOR NÃO CONTIDO
COMOÇÃO PELO PASSARINHO, TOMÁS CASTIGA-SE NA FRENTE DE JULIO. (OLIVIA O PUNE COM A PALMATORIA? JOAO LEVANTA-SE PARA ENTERRAR O PASSARINHO?)
 TOMAS SAI DO CASTIGO E VAI PARA A PROSTITUIÇÃO (MAIS PESSOAS PARTICIPAM DA PROSTITUIÇÃO?)
OLIVIA DIZ COMO AS COISAS DEVERIAM SER, DESACREDITA TOTALMENTE DA ORGANIZAÇÃO DO JULIO.
CORO DA CIDADE (É SÓ O QUE SABEM FAZER. REIVA DO JULIO)
OLIVIA OBSERVA EM DESESPERO E RECORRE AO TELEFONE, QUE DIZ SEMPRE  O MESMO
ENTRAM TODOS NO JOGO DA IDENTIDADE (podemos voltar com resquícios da vitrine para esse jogo também, como estratificações que ficaram misturados aos anônimos reais de todos os dias. ) EMERÇÃO PARA A REALIDADE DA ESTUFA DESTRUÍDA.
UM SAI. UMA LUZ APAGA. TODOS PERCEBEM. A SANFONA NO CHÃO FAZ O SOM DO MAR. OUTRA LUZ APAGA. TODOS PERCEBEM. NINGUÉM CRÊ MAIS. SAÍDAS.



A Concepção idealista do desejo como Falta





De certo modo, a lógica do desejo engana-se no seu objecto logo no seu
primeiro passo: o primeiro passo da divisão platónica que nos faz escolher entre
produção e aquisição. Se pusermos o desejo do lado da aquisição, teremos uma
concepção idealista do desejo (dialéctica, niilista) que o detetmina ptimeiro como
falta (manque), falta de objecto, falta do objecto teal. É vetdade que o outro lado,
o lado (produção», não é ignorado. Deve-se a Kant uma revolução crítica na
teoria do desejo ao defini-lo como «a faculdade de set pelas suas representações
causa da realidade dos objectos destas representações». E não é por acaso que
Kant, para ilustrar esta definição, recorre às crenças supersticiosas, a alucinações e
fantasmas: sabemos bem que o objecto real só pode set produzido por uma causalidade
e mecanismos externos; mas este saber não rios impede de acreditar no
poder interior que o desejo tem de engendrar o seu objecto, ainda que sob uma
forma irreal, alucinatória ou fantasmática, e de representar esta causalidade no
próprio desejo". A realidade do objecto enquanto produzido pelo desejo é, pois, a realidade psíquica. Logo, podemos dizer que a revolução crítica não altera nada
de essencial: este modo de conceber a produtividade não põe em questão a concepção
clássica do desejo como falta. mas apoia-se, baseia-se nela, e limita-se a
aprofundá-la_ Com efeito, se o desejo é a falta do objecto real, a sua própria
realidade está numa «essência da falta» que produz o objecto fantasmático. O
desejo concebido como produção, mas produção de fantasmas, foi perfeitamente
exposto pela psicanálise. Ao mais baixo nível de interpretaçâo isto significa que o
objecto real que falta ao desejo remete para uma produção natural ou social
extrínseca, enquanto que o desejo produz intrinsecamente um imaginário que
duplica a realidade como se houvesse um «objeto sonhado por detrás de cada
objecto real» ou uma produção mental por detrás das produções reais. E é evidente
que ninguém pretende que a psicanálise se dedique ao estudo dos «gadgets» e
dos mercados, na sua forma mais miserável, a de uma psicanálise do objecto (psicanálise
do pacote de massa, do automóvel, ou do «fulano»). Mas mesmo quando
o fantasma é interpretado em toda a sua extensão, já não como um objecto, mas
como uma máquina específica que faz intervir o desejo, essa máquina é apenas
teatral, e deixa subsistir a complementaridade do que ela própria separa: é então a
necessidade que é definida pela falta relativa e determinada do seu próprio objecto,
enquanto que o desejo aparece como aquilo que produz o fantasma e se produz
a si mesmo separando-se do objecto, mas também redobrando a falta, levando-
a ao absoluto, transformando-a numa «incurável insuficiência de ser», «uma
falta-de-ser que é a vida». Por isso se apresenta o desejo apoiado nas necessidades,
continuando a produtividade do desejo a fazer-se a partir das necessidades e da
sua relação de falta com o objecto (teoria do apoio_ Em suma, quando se reduz a
produção desejante a uma produção de fantasmas, temos que nos limitar a tirar
todas as consequências do princípio idealista que define o desejo como uma falta,
e não como produção, produção «industrial, Clément Rosset diz e muito bem:
sempre que se insiste numa falta que faltaria ao desejo para definir o seu objeto,
«o mundo vê-se dobrado noutro mundo qualquer, segundo este itinerário: o objecto
falta ao desejo; logo, o mundo não contém todos os objectos, falta-lhe pelo
menos um, o do desejo; logo, existe um algures que contém a chave do desejo
(que falta ao mundo)".
22 Clemem Rosset, Logique du pire, PU.F., 1970, p. 37.